A emoção do turismo de aventura

O que leva uma pessoa a pular de uma altura de 50 metros amarrada apenas por uma corda? Ou a se arriscar entre a forte correnteza de um rio em um pequeno bote? Foi buscando entender o significado das emoções relacionadas ao turismo de aventura, que a pesquisadora Fabiana Maia, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), se debruçou sobre essas questões. O resultado do estudo foi publicado na tese intitulada “O significado das emoções nas experiências satisfatórias do consumidor de serviços extremos: uma investigação no turismo de aventura”. Excitação, alegria, medo, diversão e tranquilidade foram algumas das emoções relacionadas às atividades radicais.

De acordo com a estudiosa, a pesquisa revelou que as sensações são essenciais no processo de avaliação da satisfação. “Nessas experiências de serviços extremos, os consumidores interpretam o significado das emoções, levando em consideração tanto os aspectos afetivos quanto cognitivos”, pontua Fabiana Maia. Ela ainda relacionou sentimentos de interesse e ansiedade ao turismo de aventura. Foram essas emoções que levaram o empresário Maurício Garcia, 40 anos, a procurar os esportes radicais. Ele faz parte da Equipe Extremos, um grupo que realiza eventos esportivos no estado. “Procurei esse tipo de atividade há seis anos e estou muito satisfeito. O prazer do contato com a natureza e a adrenalina de enfrentar desafios são incomparáveis”, afirma.

Os filhos de Maurício – um adolescente de 12 anos e um menino de 4 – já seguem os passos do pai. “Sempre que viajo, procuro um local para praticar esportes. Na minha última viagem, para Gramado, por exemplo, fui até uma área onde se praticava rafting, que é a descida em corredeiras utilizando botes infláveis. Meu filho mais velho foi comigo e já adora atividades de aventura. O de 4 ainda está dando dos primeiros passos nesse universo radical. Vou ensinar tudo que sei”, conta.

A universitária Gabrielle Buarque, 23 anos, também se arrisca em altas pedras, cachoeiras e matas para viver momentos de adrenalina. “Vale muito a pena”, dispara. A primeira atividade extrema foi praticada quando tinha apenas 15 anos. “A sensação de conquista depois de tanto medo é o que faz valer a pena. Nos sentimos livres e independentes no contato com a natureza”, diz. Ela está programando uma viagem com outros 20 amigos para pular de paraquedas na vizinha Paraíba.

Para Fabiana Maia, histórias como a de Maurício e Gabrielle resumem três momentos distintos. “Essas experiências são fruto três tipos de emoção: a do antes, do durante e do depois. Os desejos e expectativas são vivenciados antes da atividade. Características como excitação e medo são percebidas durante o momento. Depois, ficam os sentimentos de tranquilidade e alegria”, explica.

Turismo de aventura no estado

Em Pernambuco,  é possível praticar canyoning nas águas das cachoeiras de Bonito, onde também se pratica o rapel. Outros pontos para a prática do canyoning são: Cachoeira do Urubu, em Primavera (Zona da Mata Sul); Pedra do Repolho, em Venturosa (Agreste); Triunfo (Agreste) e São Benedito do Sul (Zona da Mata Sul).

O voo livre pode ser praticado em dois locais. O primeiro é a Rampa do Pepê, na Serra da Taquara, em Taquaritinga do Norte. É o segundo ponto mais alto do estado com 1.060 metros de altitude. Lá, acontece o circuito de asa delta em novembro. O outro ponto é o Morro dos Pombos, na Serra das Russas, na divisa entre Aliança e Timbaúba, com 560 metros de altitude.

Por: Anamaria Nascimento*

Até o próximo post,

A.

* Este meu texto foi publicado originalmente no Diario de Pernambuco

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