A descoberta do segundo lar

Por Elton Costa*

 Confesso que não esperava isso, mas ao chegar á Alemanha em 21 de agosto de 2011, me deparei com um estilo de vida que quase me tomou o amor que eu sinto pelo Brasil e que apagou totalmente a visão pitoresca de que tudo lá se resume a sisudez e Oktoberfest. Não precisa dize que é um lugar lindo, na verdade chega a ser cinematográfico, para onde quer que você olhe. Mas o fator humano foi o que mais me chamou atenção.

Visitando várias partes do país, de norte a sul, foi possível perceber o que as distintas regiões têm em comum e o que é típico em cada uma: alguns costumes estranhos e outros que, se adotássemos também, nos ajudariam bastante aqui.

O que é comum no país todo é a objetividade, quase ninguém entra numa loja sem saber o que quer ou no supermercado sem já ter calculado o quanto vai gastar e já chegar ao caixa com o dinheiro certo, escutei diversas vezes um “decida-se rápido!”. Mas no geral as pessoas são de uma hospitalidade e cordialidade que impressionou demais, só não sei se no meu caso contaram as amizades já antigas.

Porém eles são mesmo sempre gentis e sempre prontos para dar um sorriso e um “Servus!” a quem quer que cruze seus caminhos. É um costume contagiante. Nem mesmo os brasileiros são assim.  Sem falar no lema “vida saudável”, velhinhos optando pela bicicleta e escaladas de 2000 metros e não por uma vida doméstica, as saladas dominando as mesas de jantar e quase sempre cultivadas no jardim, além da consciência ecológica revelada na opção pelo uso da luz de velas no lugar da elétrica e na rigorosa coleta seletiva de lixo.

Agora, o que mais me impressionou no povo alemão é que não há vergonha em trabalhar, toda forma de trabalho é digna para eles. Cansei de ver pais dirigindo tratores com o filho do lado, mulheres lindas arando a terra, e meus amigos, com coleções de carros antigos na garagem, trabalhando como catadores de batata pela manhã. Eles deixavam de viver por isso? Não. No final do dia os Mini-coopers e Smarts os levavam à uma discoteca ou biergarten (áreas para tomar cerveja ao ar livre).

Enfim, voltei da Alemanha com uma vontade tremenda de não perder tempo em nada, de chutar logo empecilhos para fora do caminho e acumular aqueles minutos para aproveitar depois; de querer fazer o melhor (sem outra escolha) e, acima de tudo, de tentar transmitir um modo de vida que tornaria a vida bem melhor aqui nos trópicos. Pois o Brasil não precisa passar por tantas guerras ou crises para tomar ações radicais e ser o que ele pode ser. E, ok, não posso negar que a barriguinha de cerveja veio junto…
 

Serviço

 Para passear

Na Alemanha é super popular uma comunidade de caronas onde as pessoas descrevem o roteiro que irão seguir, em qualquer tipo de viagem (negócios, turismo…), e quem pretende ir na mesma direção entra em contato e reserva um lugar no carro. No site você encontra informações detalhadas, desde a hora da saída, quantidade de vagas e até o modelo do carro. O interessante é o preço:  +/- E$ 5,00 a cada 100 kilometros (Para se ter uma idéia, você atravessa a Alemanha com apenas E$ 30,00. Mas fique atento, para estrangeiros é melhor procurar sempre carros de passeio, também há caronas em ônibus e vans, mas talvez te peçam até carteira de motorista internacional. Outro detalhe importante: mostre sempre compromisso, se encontrou uma carona mais barata lembre-se de cancelar a primeira,  para os alemães qualquer acordo é um pacto de sangue. O sistema é muito sério e para evitar acidentes, os “caroneiros” desejam falar diretamente com quem procura uma vaga no carro deles, mas não tenha medo, todos falam inglês e você pode ligar ou mandar sms.

http://www.mitfahrgelegenheit.de/

E para hospedagem de graça existe o couchsurfing, literalmente “surfar no sofá dos outros”, já bem conhecido entre pelos brasileiros é uma espécie de facebook da hospedagem, onde você cria seu profile e define se tem condições de receber um “surfer” em sua casa, ou apenas guiar o visitante pela sua cidade. O bom é que você também vai poder pedir ajuda quando estiver viajando, você pode filtrar seus “hosts” por cidade, sexo e até quantidade de noites que a pessoa poderá te hospedar. Apenas prepare um bom profile, fale um pouco de você, ponha fotos mostrando claramente seu rosto, você em momentos legais com amigos e claro, suas viagens anteriores. Antes de te receberem eles querem saber se você é confiável ou não, certíssimo por sinal.

http://www.couchsurfing.org/

Para se divertir

 Como tive a chance de conhecer mais a Região da Bavária, no Sul da Alemanha, posso falar com mais segurança das opções por lá:

  • Não se preocupe com distâncias, lá é comum se ter compromissos ou se divertir em cidades diferentes. Os potentes carros e rápidas Autobahns (rodovias sem limite de velocidade), levam você de um lugar para o outro em minutos. Se você tem licença internacional, aproveite, se não, consiga um bom amigo para te dar carona.
  • Durante o verão, as opções são basicamente um banho num dos diversos lagos da região pela manha, biergarten no final da tarde e discoteca á noite (os mais velhos optam por um churrasco no jardim), algumas são tão pequenas que sequer tem nome, mas não deixam a desejar, mas a Copel Club e a Yum Club em Augsburg, garantem uma noite incrível.
  • Se você estiver em Augsburg, (Uma hora de viagem a partir de Munique) entre abril e maio ou setembro e outubro, não perca a chance de conhecer o Plärrer, um parque de diversões permanente com uma das típicas tendas para beber cerveja (Uma versão em miniatura da Oktoberfest).
  • Em Munique, a grande Oktoberfest começa no fim de setembro e segue por até 15 dias e há a crença de que esses dias são sempre de sol. Não saia de lá sem tomar uma masskrug (caneca de 1 litro de cerveja) e provar a salsicha branca com mostarda doce, parece estranho, mas é delicioso.

    Oktoberfest

  • Nas grandes cidades, como Berlim e Munique, não perca os Mercados de Pulgas (as feiras de antiguidade) e aproveite para pegar o metro geralmente de graça após as 22h. Ou volte para casa tranquilamente de bicicleta após a balada. É isso mesmo, ir para balada de bicicleta.
  • Em Berlim você encontra a Ilha dos Museus, uma ilha no meio do rio Spree onde está o Museu Pergamon, que abriga a entrada do Mercado de Mileto e os Portões de Ishtar na Mesopotâmia. E indo até lá você vai cruzar com o Reichstag e o Portão de Brandenburg. Sem palavras.

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* Elton Costa é jornalista, designer e viajante

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