Polo gastronômico é importante para a economia

Um dos setores que mais se destaca no atual cenário econômico pernambucano é o gastronômico. Pernambuco tem o maior polo do Nordeste e o terceiro do país. Os números do setor são animadores. Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o brasileiro gasta cerca de 30% de seu rendimento com alimentação fora de casa. Até 2012, o percentual deve ser de 40% e, em 2020, a expectativa é que se chegue a 50%. Esse valor pode ser ainda maior se somados os gastos das empresas com vales-refeições e os valores não cadastrados por refeições feitas em pontos de venda informal.

São cerca de 6 mil bares e restaurantes funcionando a todo vapor do litoral ao
sertão pernambucano. O número de estabelecimentos é considerado grande, mas o mercado está longe de apresentar sinais de saturação. “É um setor que só tende a crescer. O Brasil e Pernambuco serão palco de grandes eventos nos próximos anos, o que vai trazer um maior número de pessoas para consumir alimentos aqui“, lembrou o diretor executivo da Abrasel em Pernambuco, Valter Jarocki.

De olho nas oportunidades que surgirão nos próximos anos, como a Copa de 2014, o setor já se prepara para o crescimento da demanda. Para atender os clientes não adianta apenas vender pratos saborosos.É preciso, principalmente, investir na qualificação da mão-de-obra. Os bares, restaurantes e hotéis pernambucanos já estão realizando programas de qualificação e capacitação. A primeira fase do projeto Vem Receber, da Abrasel, já capacitou 1.500 funcionários de mais de cem empresas.São aulas de etiqueta, idiomas e treinamento de comportamento europeu e norte-americano. “Já somos um dos maiores polos por termos uma boa quantidade de estabelecimentos, excelente qualidade e boa variedade de pratos, mas queremos mais e, para isso, temos que profissionalizar o setor“, frisou Jarocki.

Pernambuco oferece não só uma das maiores diversidades gastronômicas do país, mas também um dos maiores padrões de qualidade nas comidas. Os que consomem alimentos no estado podem escolher de pratos típicos até opções mais refinadas desenvolvidas por chefes de cozinha premiados nacional e internacionalmente. “O polo gastronômico também se destaca pela qualidade das instalações e pelo preço diferenciado em relação ao de outras capitais“, destacou o diretor executivo da Abrasel/PE.

Todas essas qualidades têm refletido nos números registrados nos bares,
restaurantes, hotéis e pousadas de Pernambuco. Vários estabelecimentos não
param de crescer, e a previsão é que o lucro não estacione tão cedo. Um bom
exemplo desse cenário positivo é a rede Galetus Churrascaria e Pizzaria. Em
2004, o município de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife (RMR), foi
palco de um empreendimento único e ousado. Com um nome fácil de memorizar,
atendimento qualificado e preços populares, o Galetus se consolidou com um dos empreendimentos mais  bem sucedidos no Grande Recife.

Galetus

Após sete anos de história, o Galetus conta hoje com uma rede de quatro lojas
(Camaragibe, Areias, Cordeiro e Boa Viagem). Em 2012, uma nova unidade será
inaugurada no bairro da Madalena, Zona Norte do Recife. Um dos proprietários
do Galetus, Flávio Borba, atribui o crescimento à melhoria do poder de compra
das classes C e D, público-alvo da rede de restaurantes. “Apostamos nesse
filão, pois o cenário econômico local e brasileiro é muito favorável. Mais
pessoas têm condições de comer fora de casa“, explicou. Além do maior poder
aquisitivo das classes menos favorecidas, o setor cresceu graças a conquista
do mercado de trabalho pelas mulheres, que passaram a ter menos tempo para
cozinhar.

Outro exemplo de sucesso neste seguimento é o restaurante Entre Amigos, o
Bode, que comemorou, em janeiro de 2011, 17 anos de história e se consolidou
como um dos mais procurados do Recife.A história começou em uma banca de
revistas quando o garçom Raimundo Dantas deixou o emprego e convidou o
cunhado, o funcionário público Roberto Farias, para comprar um terreno baldio
em Boa Viagem, Zona Sul da cidade. No estabelecimento,eles passaram a vender
cerveja e bode assado (trazido da Paraíba).O prato ganhou fama e levou à
criação do restaurante. Atualmente, o Entre Amigos tem duas unidades: uma em
Boa Viagem e outra no Espinheiro. Juntos, os restaurantes comportam 1.280 pessoas.

Uma curiosidade é que ambas as unidades foram responsáveis pela formação de
polos gastronômicos no entorno dos restaurantes. “Ao abrir o de Boa Viagem, só
havia o Laçador pelas redondezas. Hoje, são diversos bares e restaurantes na
área. A mesma coisa aconteceu na Rua da Hora, onde, na época da inauguração,
não existia quase nada“, afirmou Roberto Farias.

Com o espírito empreendedor dos proprietários do Entre Amigos, o restaurante não  para de crescer. Em 2010, por exemplo, a unidade do Espinheiro teve um crescimento de 20% na movimentação. A de Boa Viagem, por causa de uma reforma e de alterações no cardápio, teve o maior crescimento de sua história: quase 60%. Roberto Farias contou que existe a chance de o Recife ganhar mais uma unidade até o final de 2011. “Já estamos procurando alguns locais, mas ainda não temos nada definido. Queremos aproveitar o momento de Pernambuco, que é o terceiro polo gastronômico do país“, disse.

Este meu texto foi publicado originalmente no caderno especial “Pernambuco que dá certo”, do Diario de Pernambuco.

Abraços!

A.

4 thoughts on “Polo gastronômico é importante para a economia

  1. Preciso de uma pesquisa com as principais cidades pólos gastronomicas de Pernambuco, e alguns exemplos de pratos principais. Você pode me ajudar ? Obrigada.

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